Para sempre Catatau
“Difícil superar, já que cada perda é única em sua dor. Mais difícil ainda expressar em palavras a felicidade que ele nos proporcionou, e a falta que faz agora.
No ano passado, a OBA participou por 8 meses da Feira de Orgânicos da UFSC com o Brechó do Totó. Como bom anfitrião, Catatau nos recebia com alegria.
Presenciamos momentos inesquecíveis da vida do peludo: a participação ativa nas manifestações e protestos e, como bon vivant, também nas festas, shows e brincadeiras. Os trotes que vimos foram impagáveis: calouros passavam enfileirados, amarrados uns aos outros, sujos e descalços, visivelmente desconcertados. Mas o cãozinho rebolido e de olhar travesso ao final da fila, contente por participar de tal farra, deixava tudo mais leve e divertido.
Catatau nos deixa doces lembranças de amizade, solidariedade, amor pela vida. E ausente daqui, brilhará alto. Sempre, sempre!”
Ana Lúcia Martendal – Diretora da OBA!
***
Para Catatau…
“Amigos,
Não pude conter a emoção e as lágrimas ao tomar conhecimento da insólita morte do Catatau. Esse alegre cãozinho foi mais um ser cuja doçura – tão comum nos cães e outros animais – deixará saudades para sempre.
Mesmo tendo tido uma vida razoavelmente boa – provavelmente muito melhor do que a de outros de sua espécie – Catatau simbolizava o descaso e o desafeto de uma cultura cuja relação com a natureza encontra-se intoxicada pela instrumentalização de tudo o que existe. Isso leva à ruptura com o outro, à autofagia e à destruição.
O campus da UFSC ficará mais triste para muitos de nós, embora não para todos, pois, se assim o fosse, não haveria tantos outros exemplares de “Catatau” perambulando sem rumo certo, com seus olhares inocentes e melancólicos.
Por um breve momento desejei que você fosse um cão desconhecido, sem cara. Que eu nunca o tivesse conhecido ou acariciado, para não ter que lamentar sua morte agora. Isso teria diminuído sobremaneira a dor da má notícia.
Mas não nos é permitido escapar de nossa própria afetividade e, com isso, só me resta celebrar o privilégio de tê-lo conhecido e dizer – Obrigada, Catatau, pela sua companhia em nossa passagem pelo planeta. Em meu coração você estará sempre vivo.
Paula”
Paula Brügger é professora do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC.
***
A UFSC perde um líder
“Catatau, como era chamado pela maioria dos integrantes da comunidade universitária, apareceu na UFSC em 1997, ainda filhote, com o seu irmão Euclides. Seu irmão foi doado, morrendo logo em seguida de cinomose. Mas ele, com sua missão já predestinada, permanece no campus. Como era idêntico ao seu irmão, era carinhosamente chamado de Clone pelas amigas da Matemática. Tinha outras alcunhas, entre elas, Zorro, Bruno e Danielzinho. Castrado no ano de 2005, fez seu pós-operatório no campus, sem deixar de participar de nenhuma atividade sequer.
É considerado o cão mais revolucionário que se tem notícias. Participou de diversos manifestos, assembleias, debates, passeatas, greves, acampamentos, barricadas, invasões, “sequestro” e até já foi cotado a candidato a Reitor. Bem, na cadeira do Reitor sei que ele já sentou … Sua presença era fidedigna nas recepções aos calouros, trotes, festas e até em rodinhas “fora da lei”.
Com aquele ar autoritário, às vezes maroto, às vezes traiçoeiro, Catatau conquistou a liderança no campus. Todos o conheciam, todos o respeitavam.
Querido por todos, Catatau ganhou espaço na internet, com aproximadamente 6.500 ocorrências. São diversos os sites, blogspots e fotologs que divulgam a sua história na UFSC.
Se ele vai fazer falta? Já está fazendo. O campus nunca mais será o mesmo. Pode-se dizer que Catatau era daqueles que iria chegar aos 100, para tanto, bastava que as lutas sociais não parassem. Ele será nome de turma entre formandos de 2009.1, mérito que muitos que se aposentam na UFSC não chegam a alcançar.
Sabem onde Catatau errou? Em acreditar muito nos homens … Não fosse isso, ainda estaria materialmente entre nós.
Enterrado em frente ao CCE, ao pé da “Pira da Resistência”, espera-se dedicar a esse cão uma homenagem para que todos saibam que uma vez na UFSC existiu um líder patudo.
… pobre daqueles que provocaram esta calamidade … que futuro os espera …!!! “
Rogeria D’El Rei Martins /UFSC


















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