Diário do Mutirão Mata-Fome 29/05/2011
Domingo é o dia mais esperado pelos animais da aldeia de Biguaçu. Sabíamos que a ração arrecadada mal daria para alimentá-los naquele dia, e mesmo assim, escolhemos fazer a diferença e fomos até lá. Com o inverno chegando, o consumo de alimento aumenta, tanto para mantê-los aquecidos, como para o sistema imunológico ficar mais resistente. DOE RAÇÃO! Daisy preparou uma comidinha caseira especialmente para nossos amados, e prevendo que iria faltar comida, uma voluntária do Mutirão comprou 88 kg de ração pra cães e outra voluntária ajudou com a ração dos bichanos e pacotinhos de pão para que as barriguinhas não ficassem roncando por mais uma semana.
E assim, aliviados, partimos em direção aos nossos amiguinhos patudos, que nos esperavam ávidos por alimento, carinho e atenção. Como sempre, a recepção é calorosa pela turma do Pudju, nosso vovôzinho amado que vai de colo em colo e é um dengo só. Estávamos em 8 voluntários – seja bem-vindo, Daniel! -, dividimos tarefas e as visitas às primeiras casas foram concluídas em pouco tempo.
Já tinha anoitecido quando chegamos ao outro lado da aldeia, onde ficam os animais mais necessitados. A escuridão atrapalha e dificulta muito mais nosso trabalho, mas vale a pena, pois novamente somos recebidos por olhinhos tão brilhantes que iluminam a noite, rabinhos agitados e muita festa dos peludos. E a fome é tanta que até brigas temos que separar. E começa mais uma via sacra da distribuição da comida, as casas são afastadas e está tudo muito escuro, temos que nos valer de lanternas e da sorte.
Notícias vão e vem, e foi justamente uma dessa que é capaz de partir o coração é que veio aos nosso encontro: um peludo havia sido picado por uma cobra, e para piorar, morreu sem assistência alguma, pois sua família não nos avisou. Raphael era daqueles que falava com os olhos, doçura e delicadeza em forma de cão.

Jamais te esqueceremos... =(
O relógio marca 20h30. O Mutirão chega ao final quando a última boquinha faminta recebeu sua tão sonhada porção de ração. Todos já se despediam, aliviados e exaustos, quando um dos carros não deu sinal de vida, até a bateria do carro não aguentou tanto trabalho.
Tentamos de tudo e nada deu certo. Só nos restou pedir auxilio à Polícia Rodoviária que fica próxima à aldeia, e um gentil patrulheiro ligou para o serviço de ajuda da estrada que prontamente foi nos socorrer. Resumo da ópera? Uma hora depois conseguimos sair de lá. Cães, gatos, patos, galinhas e o quati estavam com suas barriguinhas bem cheias, e a esta altura, quem precisava de um Mutirão Mata-Fome éramos nós.
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Amanhã nossa programação será intensa: Evento de Adoção na Beira-mar de São José (próximo ao Centro Multi Uso), Bazar no Parque do Córrego Grande e Mutirão Mata-Fome na aldeia de Biguaçu. Precisamos de voluntários! Confira a programação AQUI. Se puder ajudar, escreva para oba@obafloripa.org



























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